O fotógrafo

tiago-muchaki-fotografo-curitiba-book-ensaio-fotografico-fotografiaA fotografia é algo essencial na vida das pessoas. Para algumas, em especial, é ainda mais importante. E digo de boca cheia que me encaixo entre elas. Não existe melhor maneira de demonstrar a gratidão que tenho pela arte de fotografar do que reunir todas as minhas constantes experiências em um único lugar. Então, aqui estamos!

Aqui, tento homenagear aquela que me faz acordar todos os dias e, em todos eles, cativa-me com as mais distintas paisagens, as mais variadas pessoas. Faz com que eu preze cada detalhe e estime cada momento. A ela consagro todos os meus sorrisos, as melhores amizades, as belas histórias e meu bem mais precioso: a criatividade. Encontre um lugar, sente-se e comece a entender o porquê do meu fascínio.

A minha adoração por fotografia é antiga. Desde os primeiros anos de escola, já havia me decidido, mesmo não sendo pela arte em si. Quadrinhos, revistas, filmes, tudo me encantava. Assim como aconteceu em muitas famílias, a internet chegou tarde lá em casa, mas quando veio foi o ponto fundamental para o início da minha trajetória. Os bancos de imagens eram meu vício nos fins de semana.Começou pela webcam, seguiu para a primeira câmera analógica, passou para o primeiro celular e, enfim, a primeira câmera digital. A partir dela o mundo fotográfico se expandiu ferozmente. Houve aí a necessidade da manipulação fotográfica, uma perspectiva nova junto ao já existente mundo da fotografia. Com o tempo, os dois passaram a ser um só.

Fotografar pessoas me encantava de uma maneira inexplicável. Deveria ser pela ótima sensação que os seus elogios me proporcionavam. Claro que as críticas sempre apareciam, pois ninguém gosta de ser perseguido incessantemente por uma câmera. Mas, quando toda perseguição se mostrava em um visor, as ofensas eram substituídas por elogios, que para mim eram o mesmo que ganhar na loteria.

A parte financeira era o meu pesadelo nas pesquisas realizadas na internet. Ter uma máquina mais eficiente foi o meu desejo por vários meses. Na minha percepção, uma câmera boa era a solução para os meus sonhos e problemas. Mal sabia eu que com o tempo precisaria investir tanto para ter um bom equipamento e, logo após conquistá-lo, investir ainda mais para poder trocá-lo por um melhor. Porém, o equipamento de nada serve sem saber como conciliá-lo com a criatividade e o interesse.

Como as responsabilidades chegam para todos em certo ponto da vida, tive que trocar o meu mundo fotográfico para novamente habitar o “mundo real”. Trabalho e futuro foram as principais preocupações durante alguns longos anos. Trabalhar para outras pessoas era o mesmo que apertar o pause, retornar com o play vários anos depois e acordar no mesmo lugar. A sensação de tempo perdido e regresso me afligia. Não necessariamente um regresso, mas um progresso lento, muito lento mesmo. Pois o fato de não poder expressar os meus pensamentos e demonstrá-los para o mundo era decepcionante.

Com muito tempo de trabalho e foco em algo, é claro que se consegue alcançar os seus objetivos. Mas quando esse trajeto acaba agregando pontos negativos, tanto para o âmbito pessoal quanto profissional, já é hora de se pensar se isso realmente vale a pena. Comigo não foi diferente. Deixei o trabalho de lado após conquistar certa independência financeira. Com muito tempo livre, resolvi ser dono do meu nariz e trabalhar por conta própria. Inúmeros planos foram traçados, mas nenhum com uma boa aceitação pessoal. Com o tempo livre, o mundo da fotografia, até então praticamente esquecido, retomou o seu lugar. Ideias vão, ideias vêm, e de repente a melhor de todas surgiu! Fazendo jus ao conceito de que se trabalhar com o que se gosta é sucesso garantido, resolvi investir mais nesse meu mundo esquecido.

Comecei a abrir espaço para as pessoas conhecerem a minha visão sobre fotografia e aos poucos procurei me aprofundar mais no assunto. Essa busca por conhecimento me levou a vários fotógrafos que me serviram como fonte de inspiração. Toda essa sede por aprender cada vez mais acabou fazendo com que eu entrasse em contato com alguns profissionais que revelaram-se nada humildes. Mas uma pessoa em especial mudou a minha ideia de desistir, ao achar que esse mundo não seria para mim: ela é a fotógrafa mineira Vanessa Freire. Depois de vários e-mails trocados e de ter ficado encantado com a disposição e humildade daquela profissional tão talentosa, acabei indo a Minas Gerais participar de um de seus cursos. Esse foi o ponto crucial na minha repentina e mais nova profissão!

Assim que meus dias voltaram ao normal, após a visita à pessoa que considero a mais importante para a minha carreira, me vi aberto às várias oportunidades que dependiam apenas do meu interesse e entusiasmo. Depois de vários trabalhos realizados e muitas experiências trocadas com parceiros de profissão, a qualidade do meu “clique” evoluiu muito, e com isso veio a chance de montar um projeto mais sério. A Galeria 54, fundada em 2009. E este pequeno grande projeto me fez conhecer diversas pessoas e com algumas delas me identifiquei tanto que hoje fazem parte não apenas da minha vida profissional, mas da pessoal, principalmente.Após muitas e muitas risadas, inúmeros trabalhos gratificantes e infinitos amigos e clientes conquistados, a Galeria 54 passou a ser a coisa mais especial na minha vida.

Depois de aproximadamente quatro anos após ser criada, passei a dirigi-la sozinho, quando algumas diferenças profissionais fizeram com que o parceiros de profissão seguissem caminhos diferentes.Continuo garimpando experiências inovadoras e tentando transmiti-las através do meu olhar, proporcionando uma experiência única para as pessoas por meio de cada ensaio fotográfico e, acima de tudo, conquistando novos admiradores que partilham da mesma admiração pela fotografia. E sem esquecer de um futuro promissor da Galeria 54, como espaço cultural, e não apenas como um mero estúdio fotográfico, mas isso já é outra história a ser contada, e, claro, compartilhada com você, até porque ainda tenho muito o que mostrar!